Construir um programa de bem-estar integral para além da contagem de passos

Além da contagem de passos: como construir um programa de bem-estar integral, desafio a desafio

Deixe-me adivinhar. A sua empresa organizou um desafio de passos no ano passado. A participação foi razoável nas duas primeiras semanas, talvez três. A classificação foi dominada pelas mesmas cinco pessoas. E depois o desafio foi-se apagando, com a maioria dos colaboradores a regressar às rotinas como se nada tivesse acontecido.

Soa-lhe familiar? Não é o único. Os desafios de passos continuam a ser uma das portas de entrada mais populares para o bem-estar nas empresas, e com razão. São simples, mensuráveis e quase toda a gente pode participar. Mas eis a verdade incómoda que os dados não param de confirmar: quando contar passos é toda a sua estratégia de bem-estar, está a deixar para trás a maior parte dos seus colaboradores.

O problema do bem-estar unidimensional

Segundo a investigação da Gartner sobre o bem-estar no trabalho, 87% dos colaboradores têm acesso a recursos de bem-estar mental e emocional, mas apenas 23% os utilizam de facto. É uma lacuna enorme, e não surgiu porque as pessoas deixaram de se preocupar com a saúde. Surgiu porque os programas deixaram de ir ao encontro das pessoas onde elas realmente estão.

A realidade é que o bem-estar não é uma coisa só. A investigação da Gallup sobre bem-estar identifica cinco elementos interligados — carreira, social, financeiro, físico e comunitário — que, em conjunto, determinam a forma como as pessoas vivem a sua vida. Quando o seu programa de bem-estar aborda apenas uma dessas dimensões, está a resolver cerca de 20% da equação. E as pessoas sentem essa lacuna.

Os desafios de passos são físicos. Ótimo. Mas e a colaboradora que dorme cinco horas por noite? E o colega afogado em stress financeiro? E a pessoa em teletrabalho que não tem uma interação social significativa com um colega há semanas? Uma contagem de passos não toca em nada disso. E os colaboradores estão cada vez mais atentos a isso.

A viragem para o bem-estar integral já está a acontecer

A boa notícia é que as organizações estão a perceber. A investigação da McKinsey sobre bem-estar concluiu que 82% dos consumidores norte-americanos consideram o bem-estar uma prioridade máxima ou importante na sua vida, com a saúde mental, o sono e a alimentação entre os interesses que mais crescem. Os colaboradores levam essas expectativas para o trabalho.

O argumento de negócio tem a ver com o alcance. Um programa de uma única dimensão só chega às pessoas que se interessam por essa dimensão. Cada novo tipo de desafio abre a porta a outro grupo de colaboradores. Para uma análise honesta dos números, veja o nosso guia sobre o ROI do bem-estar nas empresas.

Portanto, a questão não é se deve adotar uma abordagem integral. É como lá chegar, na prática, desafio a desafio.

Construir as camadas: seis tipos de desafio que abrangem a pessoa como um todo

Pense no seu programa de bem-estar como um bolo de várias camadas, não como um único ingrediente. Cada camada tem uma função diferente, chega a um grupo diferente de colaboradores e reforça a estrutura no seu conjunto. Veja como construí-lo.

1. Desafios de atividade física

Comece pelo que já conhece. Desafios de passos, minutos ativos, registo de treinos: são motores de envolvimento comprovados e os mais fáceis de lançar. Dão ao seu programa um ponto de partida visível e cheio de energia.

Mas com um pormenor: torne-os inclusivos. Nem toda a gente pode ou quer chegar aos 10.000 passos. Considere desafios baseados em atividade, em que o ioga, a natação, o ciclismo ou até uma caminhada à hora de almoço contam da mesma forma. O objetivo é o movimento, não uma métrica específica. Ao retirar a pressão de uma métrica única, abre a porta a colaboradores que antes se sentiam excluídos de programas centrados na condição física.

2. Desafios de mindfulness e saúde mental

É aqui que está a verdadeira lacuna. Metade dos colaboradores refere um stress diário significativo, mas a Gartner concluiu que apenas 23% dos que têm acesso a recursos de bem-estar mental os utilizam de facto. A barreira não é a falta de interesse: é o estigma, o atrito e programas que não parecem relevantes.

Os desafios resolvem isso ao normalizar o comportamento. Uma sequência de 10 dias de meditação. Um diário de gratidão. Um desafio «nada de ecrãs depois das 21h». Não é terapia: são portas de entrada acessíveis que fazem a saúde mental parecer uma atividade de equipa, e não uma confissão pessoal. Quando todos os colegas participam juntos num desafio de exercícios de respiração, o estigma desaparece discretamente.

3. Desafios de hidratação e alimentação

Simples, mas surpreendentemente eficazes. Uma meta-análise concluiu que uma desidratação de 2% da massa corporal ou mais prejudica a atenção, as funções executivas e a coordenação motora (Wittbrodt e Millard-Stafford, 2018). Um desafio de hidratação de duas semanas, com registo diário da água, pode criar hábitos duradouros com um esforço mínimo; veja a hidratação no trabalho.

Os desafios de alimentação funcionam de forma semelhante. Não precisam de ser prescritivos nem centrados em dietas: pense em «experimente uma fruta ou legume novo todos os dias desta semana» ou «cozinhe em casa três vezes esta semana». O objetivo é a consciencialização e pequenas mudanças de comportamento, não uma reformulação completa do estilo de vida. Mantenha-o leve, mantenha-o social, e as pessoas aderem.

4. Desafios de sono

Esta é uma dimensão que a maioria dos programas de bem-estar ainda ignora por completo. Segundo o National Center for Chronic Disease Prevention dos CDC, cerca de um em cada três adultos norte-americanos não dorme o suficiente com regularidade. A privação de sono afeta tudo (concentração, tomada de decisões, regulação emocional, risco de lesões) e, mesmo assim, raramente aparece no calendário de bem-estar.

Um desafio de sono pode registar as horas de descanso, incentivar horários regulares de deitar ou promover rotinas noturnas sem ecrãs. O grande trunfo é combinar um desafio de sono com um desafio de passos ou de atividade, para que os colaboradores sintam na pele como dormir melhor melhora o seu desempenho físico. É nessa ligação que nasce uma mudança de comportamento duradoura.

5. Desafios de ligação social

Especialmente importantes para equipas híbridas e remotas, os desafios sociais combatem a epidemia de solidão que se infiltrou no trabalho moderno. Podem passar por pares sorteados para cafés virtuais, conversas de equipa do tipo «partilhe algo pelo qual está grato» ou objetivos colaborativos em que o grupo inteiro ganha em conjunto.

A investigação confirma-o. A Gallup identifica o bem-estar social como um dos cinco elementos centrais que determinam se alguém está a prosperar, e os desafios de equipa superam consistentemente os individuais tanto na participação como no envolvimento ao longo do tempo. Quando o bem-estar passa a ser algo que se faz com outras pessoas, e não apenas ao lado delas, toda a experiência muda.

6. Desafios de bem-estar financeiro

Pode parecer invulgar para uma plataforma de desafios de bem-estar, mas o stress financeiro é uma das principais causas de ansiedade, absentismo e rotatividade entre os colaboradores. A investigação da SHRM sobre benefícios mostra de forma consistente que o stress financeiro está entre os principais motivos pelos quais os colaboradores procuram apoio, e cada vez mais empregadores estão a incluir o bem-estar financeiro no seu pacote de benefícios.

Aqui, os desafios podem incluir revisões periódicas do orçamento, acompanhamento de objetivos de poupança ou módulos formativos sobre planeamento da reforma. Não precisam de ser complexos. Até um desafio «levar almoço de casa três dias esta semana» une o bem-estar financeiro e a alimentação ao mesmo tempo: é essa a beleza de uma abordagem integral. As dimensões começam a reforçar-se mutuamente.

7. As seis camadas no YuMuuv

Camada Atividades do YuMuuv
Atividade física Passos, minutos de exercício, caminhada, ciclismo, natação, ioga
Mindfulness e saúde mental Mindfulness, respiração profunda, diário de gratidão, tempo sem telemóvel
Hidratação e alimentação Beber água, cozinha saudável
Sono Sono
Ligação social Conviver com amigos, encorajar alguém, objetivos de equipa e coletivos
Bem-estar financeiro Controlo das finanças

Pode organizá-los como desafios separados ou combinar vários num único desafio de Pontos de bem-estar. Veja a lista completa de desafios do YuMuuv e o nosso guia de desafios de bem-estar para além do exercício.

O efeito composto: porque é que a variedade impulsiona o envolvimento

Esta é a parte que muitas vezes escapa no planeamento de programas de bem-estar: cada tipo de desafio não se limita a somar envolvimento, multiplica-o.

Quando organiza apenas um desafio de passos, chega aos colaboradores que já são razoavelmente ativos. Quando o combina com um desafio de mindfulness, atrai o colaborador stressado à secretária que nunca entraria numa competição de condição física. Junte um desafio de sono e chega a quem acabou de ser mãe ou pai e anda sem energia. Acrescente um desafio social e os seus colaboradores remotos sentem-se finalmente ligados o suficiente para aderir também ao próximo desafio físico.

A investigação sobre participação aponta no mesmo sentido: os programas pensados em função das diferentes necessidades e preferências dos colaboradores registam mais envolvimento do que iniciativas iguais para todos (Harvard Business Review).

Isto não é uma melhoria incremental. É um programa fundamentalmente diferente.

Pôr em prática

A teoria é uma coisa. A execução é outra. Eis alguns princípios que distinguem os programas que funcionam dos que perdem fôlego depois do primeiro trimestre.

Alterne e renove. Não repita o mesmo tipo de desafio todos os meses. Alterne entre desafios físicos, mentais, sociais e de estilo de vida, para que haja sempre algo novo e sempre algo que fale a outra parte dos seus colaboradores. Os temas trimestrais funcionam bem: foco físico no primeiro trimestre, saúde mental no segundo, ligação de equipa no terceiro e um fecho integral no quarto. Para ritmos prontos a usar, veja o plano trimestral com quatro desafios e o calendário de desafios de 12 meses.

Aposte nas equipas. Os desafios individuais servem para criar hábitos pessoais, mas os desafios de equipa geram responsabilização e prova social. Quando a sua equipa conta consigo, é mais provável que registe a água que bebeu ou a sessão de meditação.

Mantenha a barreira de entrada baixa. O maior inimigo da participação em programas de bem-estar não é a falta de motivação: é o atrito. Se aderir a um desafio exigir mais de dois toques no telemóvel, já perdeu metade do seu público. A tecnologia conta.

Celebre o progresso, não a perfeição. Reconheça a participação e a evolução, não apenas os melhores classificados. O colaborador que passou de zero para cinco minutos de mindfulness por dia fez uma mudança de vida maior do que quem já meditava diariamente. O seu programa deve refletir isso.

Comece onde está

Não precisa de lançar os seis tipos de desafio amanhã. Comece com o que tem (provavelmente aquele desafio de passos) e acrescente uma nova dimensão por trimestre. Um desafio de mindfulness este mês. Um de hidratação no próximo. Um objetivo social de equipa no verão.

A ideia não é construir de um dia para o outro o programa integral perfeito. É deixar de tratar o bem-estar como uma caixa para assinalar e começar a construir algo que reflita realmente a forma como os seus colaboradores vivem. Porque a vida deles não está dividida em «saúde física», «saúde mental» e «saúde social». É tudo uma coisa só.

As empresas que percebem isto, as que constroem os seus programas de bem-estar desafio a desafio e dimensão a dimensão, são aquelas cujos colaboradores aguardam com expectativa o próximo desafio, em vez de ignorarem o e-mail que o anuncia.

Contar passos é um ótimo ponto de partida. Só é um péssimo sítio para parar.

Pronto para acrescentar a próxima camada? Marque uma demonstração do YuMuuv ou leia como é, na prática, o bem-estar integral.

  • Partilhar